Como falar em "literatura nacional" em um contexto neoliberal que reorganiza os modos de existência e descontrói alguns aspectos discursivos elementares para a construção da nação enquanto "comunidade imaginada"? O que significa ser um "clássico" da literatura quando parâmetros pós-modernos rompem com a possibilidade mesma de hierarquização estrutural inerente a delimitação de quaisquer conjuntos alicerçados sobre códigos mais ou menos permanentes de construção de sentido, borrando as outrora bem delimitadas fronteiras entre erudito e popular, alternativo e mainstream, pop e clássico? Como construir uma "historiografia literária" quando a perspectiva dos vencedores que vem orientando por séculos a narrativa escolar hegemônica sofre importantes deslocamentos a partir da visão dos "de baixo"? Afinal, o que pode o literário em meio ao caos? O que pode fazer o professor de literatura quando tem diante de si a possibilidade cada vez mais concreta do fim do mundo? Cabe a este a responsabilidade de definir o que deve ser preservado dentre as ruínas e o que deve ser atirado fora, para ver emergir o novo. Uma tarefa impossível e, ao mesmo tempo, inadiável.
Numero ISBN 978-65-86413-43-4
Org. OLIVEIRA, Acauam Silvério; CHAGAS, Silvania Núbia
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ISBN: 978-65-85651-11-0
É com imensa satisfação que apresentamos o E-book de resumos do III Simpósio de Atenção Integral ao Adolescente e do III Encontro de Ex-Alunos do Mestrado em Hebiatria - UPE. Este evento, organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Hebiatria (PPGH), teve como tema central “Determinantes da saúde do adolescente: uma visão do mundo pós pandêmico” e objetivou promover a interação, o estudo e a discussão entre docentes, discentes, pesquisadores e egressos do programa em torno deste importante tema. O cronograma do evento contou com uma vasta programação, que incluiu conferências, mesas-redondas, workshops, sessões de pôsteres e de temas livres, protagonizados por pesquisadores de diferentes instituições do Brasil e do mundo. O III Simpósio de Atenção Integral ao Adolescente e o III Encontro de Ex-Alunos do Mestrado em Hebiatria — UPE propiciaram uma excelente oportunidade para a divulgação da produção de jovens pesquisadores, que apresentaram pesquisas inovadoras e com caráter interdisciplinar. Esperamos que este E-book possa contribuir para o avanço do conhecimento na área de saúde do adolescente e que possa servir de inspiração para futuras pesquisas e debates. Agradecemos a todos os envolvidos na organização e realização deste importante evento.
Organizadores:
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ISBN: 978-85-7856-263-2
O Dicionário Crítico dos Fascismos é uma obra coletiva que oferece, de forma inédita no Brasil, um panorama abrangente, analítico e multidisciplinar sobre um dos fenômenos políticos mais persistentes e mutáveis da história contemporânea. Reunindo especialistas nacionais e estrangeiros das áreas de História, Ciências Sociais, Ciência Política e Filosofia, o livro percorre quase um século de experiências autoritárias, do fascismo italiano e do nacional-socialismo alemão às novas configurações do neofascismo no século XXI, como o trumpismo, o bolsonarismo e outras manifestações de extrema direita no mundo.
Orgs. Francisco Carlos Teixeira da Silva, Edgar da Silva Gomes, Felipe Azevedo Cazetta, Karl Schurster, Márcia Carneiro.
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CONSTRUÇÃO E PRÁTICA DO SABER
Gevson Andrade
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ISBN: 978-65-85651-41-7
Dançar em Pernambuco envolve expressões tão abrangentes quanto os maracatus rurais da Zona da Mata, os clubes de Frevo, os cocos de Arcoverde, o xaxado de Serra Talhada, assim como os múltiplos grupos de danças e escolas que desafiam crianças, jovens e a população em geral ao se aproximar de danças urbanas, balé, jazz, danças de salão, e danças populares, entre outras. Neste estudo, objetivamos descrever as redes de formação e atuação nas escolas, grupos, companhias, grupos, coletivos e artistas independentes das danças, como grupos artísticos, em Pernambuco, através de uma pesquisa exploratória de levantamento de dados em 11 municípios de 4 regiões intermediárias do estado, levando em consideração não só atores humanos, mas também instituições e outros objetos atuantes. Ao final, reconhecemos que nas redes de formação e atuação identificamos redes com poucas conexões e baixa modularidade, mas também uma rede que apresentava características que apontam, possivelmente, para diversidade e robustez.
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Fábio Alves Ferreira; Sandra Simone Moraes de Araújo
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CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO MATEMÁTICA
Esta obra, em sua edição revisada e ampliada, propõe-se a compartilhar pesquisas na área de Educação Matemática, considerando as ações desenvolvidas por membros fundadores e atuais do GT de Psicologia da Educação Matemática da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Psicologia ANPEPP, que se debruçam sobre os aspectos psicológicos envolvidos nos processos de ensino e aprendizagem da Matemática e as implicações desses resultados para o contexto escolar em diferentes níveis, especialmente para a formação de professores que atuam nos anos iniciais e finais do Ensino Fundamental
Número isbn: 978-65-5943-110-6
MARTINS, Ernani; LAUTERT, Sintria
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ISBN: 978-65-85651-21-9
Há um problema no espaço topológico para a definição de “direitas” hoje. A quantidade de grupos e subgrupos que compõem esse conjunto com múltiplas perspectivas é incapaz de fugir a terminologias oriundas da primeira metade do século XX, como “os fascismos” ou mesmo “os populismos”, e construir uma categoria que vá para além da aporia de um nome.
Se no pós-Segunda Guerra Mundial falávamos de “neofascismo”; nos anos 1980 o termo utilizado foi “extrema-direita” e nos anos 1990 “direita radical”, agora, no século XXI, o termo mais utilizado tem sido “ultradireita” (far right) ou o controverso conceito de “direita nacional populista”. Esse termo acaba por se tornar frágil e pouco sustentável do ponto de vista acadêmico, mesmo considerando seu largo uso pelos meios de comunicação. Assim, não só é impossível tratar a multiplicidades desses grupos no singular, o que nos levaria a imaginar que há uma real unidade entre eles, algo impossível de comprovar, mas também não considera seu caráter transnacional, o que faz com que esses grupos possuam questões e demandas comuns em diversos lugares e ganhe contornos regionais e locais a depender de onde se expressam.
Além disso, ao avaliarmos as direitas, nos deparamos com o polêmico debate sobre o “populismo”, definição formulada para qualificar os governos nacionais estatistas na América Latina nos anos 1930 — 1940. Esse conceito, mesmo sendo defendido por intelectuais de prestígio como Pierre Rosanvallon (Rosanvallon 2017) e Federico Finchelstein (Finchelstein 2019), é duramente criticado por Mudde (Mudde 2019) e por Michael Löwy (Löwy 2014), por ser considerado uma “ideologia débil” que apenas divide a sociedade em dois grupos homogêneos e antagônicos que seriam um povo “puro” e uma “elite corrupta”. Michael Löwy coaduna com os argumentos de Mudde ao afirmar que a conceituação de “populismo” é incapaz de analisar os novos fenômenos das direitas emergidos no século XXI. Sua argumentação alerta para o perigo da interpretação de que esse conceito seja uma “posição política que toma o lado do povo contra as “elites”. Ao fazê-lo, mesmo que de forma involuntária, acaba-se por legitimar as ações de “extrema-direita” e tornar a sociedade simpática a eles, aceitando suas proposições, afinal quem seria contra o próprio povo e a favor das elites? (Löwy 2014). Portanto, o uso desse conceito, retira da pauta de debate temas caros a sociedade civil e ao Estado como a xenofobia, o racismo, os fascismos, a questão migratória. Além disso, outro equívoco estaria no uso irrestrito para igualar pensamentos à direita e à esquerda utilizando-se das terminologias “populismo de direita” e “populismo de esquerda”.
Nesse sentido, utilizamos a definição do politólogo holandês Cas Mudde. Segundo ele, a ultradireita estaria diretamente ligada ao discurso antissistema, adotando uma postura veementemente hostil à democracia liberal. No interior deste grupo, teríamos uma direita mais extremista, que rejeita essencialmente a democracia, e a direita radical que, mesmo “aceitando” a democracia liberal, se oporia a elementos fundamentais dela como o direito das minorias, o Estado de Direito e à separação dos poderes (Mudde 2019).
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